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Hoje eu não consegui levantar da cama nem mesmo para comer. Disse para meus pais e mais algumas pessoas várias vezes que estava bem. Mas eu não estou. Eu me sinto perdida, deslocada, sozinha.
Sinto falta de algo, como se houvesse perdido algo, mas eu não sei o que é.
Eu me sinto desmotivada a caminhar ou correr como sempre gostei. Não consigo escrever nada além de coisas realmente tristes ou sobre perda. Não consigo sonhar, nem mesmo ter pesadelos. Não sinto fome, como realmente por obrigação. Grande parte do tempo estou ansiosa, nervosa ou irritada. Fico facilmente entediada. Ouvir música não é mais tão prazeroso, assim como ver seriados ou filmes.
Tentei me distrair jogando. Joguei vários jogos e nada me fez nem ao menos ficar distraida.
Desde criança, eu sempre fui muito intensa em relação aos meus sentimentos. Nunca soube como sentí-los ou expressá-los, mas eles sempre estiveram ali.
Ao decorrer do crescimento, aconteceram algumas tragédias em minha vida. Eu não vou esconder de você, eu já pensei em não mais viver, e não foi apenas uma vez. Os grandes choques foram a morte de dois tios e meu avô, ambos paternos.
Eu desisti da faculdade de Psicologia por não aguentar e saber carregar o fardo da morte e a ausência de quem eu tanto amava desde criança.
Eu não sei lhe dizer se eu entrei em um ciclo de depressão, mas por dois anos eu não fui eu mesma.
Eu perdi o interesse em muita coisa que eu adorava: dança, teatro. Foi o meu momento de descrença, onde eu comecei a duvidar de muita coisa. Foi onde também eu comecei a sentir uma espécie de vergonha dos meus sentimentos porque muitos achavam que eu era intensa demais.
Eu sempre sofri repressão por sentir demais. Eu fui me envergonhando até que parei de expressar, até que parei de sentir e me importar por completo. Eu me tornei alguém fria, incapaz de dizer a alguém que amava. Incapaz de sentir algo tão genuino como o amor.
Eu enterrei a criança sonhadora e amorosa que eu era. Eu me tornei meu pior pesadelo.
Hoje eu não escrevo aqui algo que me inspirei lendo ou em alguém, não. Esse texto é sobre mim. Sobre como me sinto cerca de dois meses pra cá. Sentimentos embaralhados e confusos. Pensamentos ruins predominando minha mente. A incapacidade me toma e não me deixa fazer algo a respeito. Isso não afeta somente a mim, mas também aos meus amigos, meus pais e por quem estou apaixonada.
Talvez o fato de eu não sentir por tanto tempo, me tornou seriamente debilitada em aprender a lidar com meus sentimentos novamente. Eu não tenho dúvidas do que sinto. Mas talvez a maneira e a intensidade que eu sinta, seja assustador. Talvez seja até mesmo intoxicante.
Eu costumava me sentir feliz sozinha. Hoje não mais, eu sinto medo. Medo não de acabar sozinha para sempre. Mas medo de ficar a sós com minha mente.
Eu não sei lhe dizer o que está acontecendo comigo. Tudo o que sinto está descrito aqui. Eu tentei descrever da melhor maneira possível. Porque eu não sei, na verdade, a melhor maneira de pedir ajuda.
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