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Amar ou apenas estar junto?

Estava hoje sentada no ônibus, voltando para casa. Perdida em pensamentos, com o estômago queimando. Estava entretida, olhando para as pessoas e coisas que passavam na rua, quando me deparei ouvindo a conversa de duas mulheres. Estas, estava em torno de seus trinta e poucos anos, acredito eu. Quando resolvi prestar atenção total no que estavam falando, eu me arrependi por ter ouvido tais palavras. Ambas estavam falando de suas aventuras amorosas de quando eram moças, até aí tudo bem. Até achei engraçado alguns fatos.
Porém, uma delas começou a falar de aventuras recentes (com detalhes que não precisam ser mencionados aqui). Estava achando normal, até viro em sua direção e vejo em sua mão esquerda uma bela aliança. Ela continuou a contar para sua amiga suas aventuras e sobre o que pensava sobre cada homem, rapaz que havia saído. O que eles fizeram ou deixaram de fazer, ou o que pagaram, o que lhe deram de presente ou onde a levaram.
A conversa foi interrompida quando sua amiga desceu em um terminal e ela continuou sozinha no ônibus, para de frente para mim. De repente seu telefone toca, ela atende. Pelo o que pude entender, era seu marido. Trocou rápidas palavras com eles e encerrou dizendo "Tudo bem, amo você. Beijos".
Aquilo me chocou de modo extremo. Comecei a pensar, como ela pôde dizer uma frase de significado tão forte, se agora mesmo estava a contar tais aventuras? Me levou a pensar se ela realmente ama seu marido, se é algo verdadeiro ou apenas a rotina de um casamento?
Aquilo me assustou por um segundo. Seriam todos os relacionamentos fadados a isto? Ao desgaste? A rotina? Estaria o amor extinto? Ele seria uma utopia?
Eu posso dizer, do fundo do coração, que nunca me apaixonei. Gostei intensamente de pessoas, mas nunca provei a paixão ou muito menos o amor. Então, eu conclui que algumas pessoas não nasceram para amar, não nasceram com o dom e outras, estão desesperadas para experimentar.
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