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Dor

Hoje eu entendo o buraco deixado em seu peito quando alguém sai de sua vida.
Entendo que a dor da perda do amor, é maior que a dor física. Que a dor de alma é mais que mortal, ela é gradual. Ela é conectada direto a sua memória. Ela te faz chorar a minima lembrança.
Ao ver aquele parque, aquele banco, um simples lugar e desejar chorar em posição fetal ali mesmo, no meio do shopping, porque seu coração não aguenta tanta dor que aquele lugar te lembra. Eu ainda estou superando, dia após dia.
Eu tenho pessoas sensacionais a minha volta, que me ajudam de maneira maravilhosa. Mas essa pessoa que saiu da minha vida, era a pessoa. Aquela pessoa que eu imaginava um futuro. A mesma pessoa que me fez descobrir o quanto posso amar e odiar ao mesmo tempo.
Não sinto prazer em comer, nem mesmo sair de casa. Minha vontade em certos dias, é ficar na cama e dali não sair tão cedo.
Tem dias que meu corpo inteiro parece doente e queima em febre e dor.
É uma maldição, uma praga, uma maldita dor que corrói o corpo e principalmente a alma.
É um buraco negro em meu peito, que teima em sugar tudo, sem saber o que acolhe direito.

No começo eu me sentia inútil, sem conseguir pensar direito em como seguir em frente.
Hoje, há mais de dois meses sem uma única conversa, eu me sinto melhor. Ainda dói, lá no fundo eu sei que ainda dói, mas eu já consigo rir novamente. Já sinto prazer em conhecer novas pessoas e sair com meus amigos. Eu ainda penso e lembro de cada coisa que vivemos, mas sabe, não faz mais falta.
É apenas uma lembrança. Algo que ainda machuca, que queima no peito, como ácido, mas ainda consigo viver. E o mais importante, seguir em frente.
Eu não tive notícias de você e nem quero ter. Quero que seja o mais feliz possível, mas bem longe de mim. Você disse que odiaria perder minha amizade. Faz meses que não recebo uma mensagem sua.
Você disse que a amizade era tudo pra você e há meses, que logo serão anos, que não me procura para saber se ao menos estou viva.
Eu poderia lhe procurar, dizer que sinto falta de sentar naquele parque e rir muito com você e olhar no azul profundo de seus olhos, mas não valeria a pena.
Quem sente falta, procura. É o que ouvi falar.

Eu segui em frente, consegui seguir em frente. Me sinto mais forte do que nunca. Talvez um pouco mais fria, mas isso faz diferença?
Conheci pessoas maravilhosas, que substituem muito bem a dor em meu peito. É como se elas pudessem tirar essa maldita dor com a mão. Estou a ponto de me sentir feliz novamente.
Edgar Allan Poe disse uma vez que para ser grandemente feliz, se é necessário sofrer até este mesmo ponto. Bem, eu acredito que poderei ser grandemente feliz como diria ele, afinal, eu sobrevivi a esta terrível dor.
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