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Limoeiro

Lá estava ele na janela. Exposto ao sol. Tentando sobreviver. Tínhamos tanto em comum.
Tirado das sombras, jogado ao sol. Obrigada a se reerguer. Assim estava minha vida, assim me sentia. Obrigada a lutar, a sobreviver. Estava ou ainda estou?
É estranho tentar sobreviver, lutar quando não se sabe contra o quê. Na verdade, a mais pura verdade, é que me sinto vencida sem ao menos ter se rendido.
Mas algo me empurra cada vez mais para fora do limbo e sou obrigada a lutar. A encontrar forças sobrenaturais para continuar.
Sob o sol, as feridas secam, doem demais, coçam, incomodam. É um processo por demais doloroso.
Sinto dores não só em meu corpo, como também minha alma grita, clama por clemência. Mas vai passar. Tudo passa um dia, certo?
Um dia tudo isso vai acabar? Essa sensação de estar deslocada, perdida, sem saber que rumo tomar?
A cada passo, sinto as pontadas da separação do limbo, a fisgada e por fim o grand finale, o empurrão para a luz.
Caio no chão e fecho os olhos por alguns minutos. Abro os olhos, ainda estou no chão. Me sinto exposta, nua, jogada aos leões, indefesa, sozinha.
Estou sozinha novamente, me preparando para uma nova vida, sem saber como andar. É como ser criança novamente, mas preciso me esforçar e lutar.
Estou pronta para isso? Para uma nova vida? Um novo começo?
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