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Desabafo II

Ontem eu estava com a minha irmã, desabafando novamente. Estava falando do meu passado, do ex namorado, das loucuras que fizemos juntas, das festas e tudo mais. E ela me perguntou se eu sentia falta de tudo isso. Eu disse que sentia falta da nossa antiga convivência, da época que passávamos um tempo maior juntas. Aí ela me perguntou se eu sentia falta de alguém, tipo um namorado ou ficante. Eu disse que não. Disse que estou tão bem sozinha, curtindo meus amigos ‘a mil’.
Ai ela me perguntou algo crucial que no mesmo instante me fez lembrar ele. “Quando você esta sozinha, sente falta de conversar com alguém?” Eu respondi sim. E ela: de quem?
Ai lá fui eu contar toda a historia. Lembra daquele post que fiz, no qual eu contava que havia conversado com uma pessoa e essa conversa me fez pensar em tudo o que eu já fiz e que ainda havia de fazer? Então, depois desse dia eu fiquei pensativa naquele olhar sereno e a voz calma dele. Após esse dia começamos a conversar com mais freqüência. E eu sinto que com ele posso desabafar minha vida inteira e sei que ele não se cansa, pois me ouve atentamente e dá sábios conselhos. Um fato engraçado, porém fofo, foi exatamente no dia dessa conversa. Ele me fez uma pergunta de como eu via meu mundo. Eu disse que era sombrio e não era perfeito como nos contos de fada. Ele perguntou por que e eu disse que era pelo fato de a morte sempre andar ao meu lado, me trazendo perdas que ate hoje eu não conseguira esquecer, principalmente a do meu tio quando eu tinha nove anos. Eu desabafara de um jeito que toda aquela vontade de chorar veio à tona. Sai pra fora da sala. Fui ao banheiro lavar o rosto. Quando estava voltando para a sala, dei de cara com ele correndo ao meu encontro.

- Está tudo bem?
- Está sim.
- Te ofendi com a pergunta?
- Não. Apenas são muitos sentimentos e lembranças das quais não aprendi a lidar ainda. Eu só precisava molhar um pouco o rosto e tomar um ar puro.
- Ok então. Te ajudo a voltar pra sala.
- Obrigada.

Quando voltamos pra sala continuei a contar pra ele tudo o que se passara comigo na infância e expliquei o porquê meu mundo parecia sombrio. Ele pareceu entender e então fez a pergunta chave, que por um momento fez parar a dor que batia no peito.

- Você sente dor, saudade. Isso é normal. Mas você não pode viver com isso pra sempre. Você tem que mudar sua vida, sair desse mundo sombrio. Se libertar da dor da perda. O que você pode fazer pra sair desse mundo?

Eu não sabia o que falar. Ele descrevera tudo o que eu disse eu uma frase só e me matara com a pergunta. Eu não sabia o que falar. Então abaixei a cabeça, tentei acalmar a respiração. Tirei os óculos, esfreguei os olhos. Respirei profundamente, coloquei os óculos. Olhei profundamente em seus olhos e então de repente, eu sabia o que responder.

- Na verdade não sei se consigo sair desse mundo. Já tentei varias vezes, mas não consegui. Amigos já tentaram me ajudar, mas não funcionou. Acredito que essa seja um tipo de guerra interna minha. Posso armazenar as memórias e de preferência as memórias boas, alegres e apagar as tristes. Sei que sempre sentirei falta deles e cada um deles me ensinou algo. Eu posso guardar cada valor e tentar amenizar a dor que queima no meu peito. Sinceramente, eu não acredito que consiga. Mas posso tentar.
- Se você não tiver força, se você não acreditar em você mesmo ninguém acreditará. Você precisa encontrar sua força interior. Acredite em você mesma. Você é capaz. Quando você acreditar nisso e entender, aí sim você saíra desse mundo sombrio.

Uau! Aquilo era tudo o que eu precisava ouvir. Aquela conversa agiu como uma mão que penetrou no meu peito e tirou toda a dor e tristeza. Desde aquele dia aprendi a conviver com a dor, desilusões, perdas e tudo mais. Comecei a acreditar mais em mim. Dar mais valor a minhas idéias, meus projetos e tudo mais. E ele realmente estava certo. Eu me sinto forte, forte o bastante pra se libertar do mundo sombrio.
Depois que contei tudo isso a minha irmã, ela disse uma única frase.

- Você está apaixonada por ele!

Eu não concordei porem não discordei. Minha outra irmã disse o mesmo. Quando minhas duas irmãs concordam em algo, dificilmente seria mentira. Não estou me iludindo no pensamento delas. Apenas acredito no que sinto quando estou conversando com ele. Em cada detalhe de quando fala e mexe as mãos, de como olha profundamente nos olhos quando conversa, seu modo inquieto de andar enquanto explica...
Talvez eu esteja mesmo apaixonada. Mas não importa, o que importa é que encontrei alguém com que eu possa desabafar e isso já me deixa bem. Não quero me apaixonar, me iludir e ele não corresponder. Não quero passar por algo que abale minha força interior...



                       ~ A garota de preto.
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