Encontre Aeryelin

, , No Comments
Estava sentada em minha carteira, ouvindo senhora Chessie falar sobre a primeira grande guerra. Estava quando pegando no sono, quando o alarme de incêndio toca. Todos levantamos calmamente, acreditando ser mais um treinamento, quando Diretor James entra gritando.
             — A área 5 explodiu, o colégio está inundado.
             — Que área 5 diretor?
             — A ponte além da neblina, agora vá Liz!
A escola estava virada em um verdadeiro caos. Chamas por toda lado, uma névoa estranha. Todos estavam formando fila no cais. Estava a caminho da fila, quando avisto meu pai de longe, próximo a área 5.
            — Papai! Aqui em cima papai! - Corri em sua direção. De repente ele desaparece em meio a neblina. Corro mais rápido, mas alguém me segura pelo braço.
            — Onde pensa que vai?
            — Vou encontrar meu pai, me larga!
            — Você não vai até lá garotinha.
            — Tente me impedir diretor. - olho firme em seus olhos. Solto-me dele e continuo a correr.
Chego na ponte e a neblina é espessa demais, quase posso senti-la. Tropeço em algo e caio no chão. É uma pequena pedra, em formato retangular com um único botão grande e cinza. Estou prestes a toca-lo, quando ouço meu pai me chamar.
           — Liz... Encontre-o, encon-
Sua voz silencia. Tento olhar para frente, mas não vejo nada. Como se sentisse algo, coloco-me em pé, alerta. Mas algo me puxa novamente para o chão. Eu tentei em vão gritar, mas nada saia de minha boca. A criatura me encarava, e isso me deixava nervosa. Ela era uma mistura de peixe com cauda de escorpião; do seu tronco para cima era como humano, exceto por suas guelras no lugar das orelhas.
Enquanto ele me encarava, eu ouvia uma voz suave em minha cabeça falando "Encontre-me. Encontre-me."
Ao tentar me soltar dele, apertei o botão sem querer. A criatura se transformou em meu pior pesadelo e a neblina se torna tóxica. Ele estava pronto para me atacar, quando pressiono o botão novamente, ele volta a ser um quase tritão.
Me levanto e corro em direção a escola, para encontrar ajuda. Quando chego próximo ao portão, avisto meu pai e corro para ele. A escola está inteira em chamas.
           — Liz, o que faz aqui? Venha, vamos sair daqui.
           — Papai? Mas, mas... Ah que bom vê-lo!
Ele sai correndo em direção a ponte. Grito e tento alertá-lo, mas ele não para. Saio em disparada atrás dele. Entramos em um submarino e partimos. Ele começa a passar mal, delirar e gritar por alguém chamado Aeryelin, mas este é o nome do submarino que estamos.
Abraço ele e digo que estou assustada.
          — Calma Liz, feche os olhos. Imagine que vamos mergulhar, como fazíamos quando era criança.
Eu fecho os olhos pela última vez e imagino que estamos em nossa piscina.
         — Olhe papai, sou uma sereia!
Acordo na ponte, com a criatura me segurando.
        — Socorro! Socorro!
        — Pare de lutar Liz.

A criatura de chama Aeryelin, um nome tanto comum para mim. Ele me conta tudo o que aconteceu comigo, a explosão da usina nuclear de Hashmi. Há 150 anos.
Era uma terça-feira especial, onde fui conhecer o trabalho de meu pai. Ele era um dos sócios da usina. Estou esperando ele na sua sala, enquanto ele checava um dos reatores. Atendo sua ligação dizendo que já está a caminho. Desligo toda empolgada.
De repente, uma explosão na área 5, a ala de doutor Chessie. Saio correndo pelo corredor e vejo a ala oeste toda em chamas. Meu pai! Eu precisava encontra-lo.
        — Mas, se eu morri há 150 anos, como ainda vivo esse dia Aerylin?
        — Você não fez a travessia, precisa ir para a luz Liz. Apenas vá, deixe de temer a neblina.
        — Mas e meu pai?
        —O corpo de seu pai foi encontrado no cais, dois dias após a tragédia. Ele se foi. Se não for agora Liz, nunca descansará.
        — Ok, eu vou. Mas, Aeryelin, porque eu revivi todos esses anos em uma escola, e por que você é assim?
       — Seus últimos pensamentos Liz. Eu os absorvi e de certo modo, queria facilitar sua busca pelo caminho de luz. Agora vá, corra para a neblina.
       — Adeus Aeryelin.
       — Adeus Elizabeth.
Postar um comentário