Acúmulo

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Há duas semanas me sinto diferente, deslocada, não somente perdida como o habitual.
O problema raiz, se assim posso chamá-lo, é que tive três grandes perdas seguidas uma das outras.
Um ente querido, um último abraço e uma paixão. Eu não sei dizer qual dos três me afetou mais, só sei que o acúmulo dos três me faz se sentir fora de si quase que o tempo todo.
O tempo está cinzento desde aquele dia no cemitério. O clima era propício ao momento fúnebre e também a um último adeus. Eu não conseguia nem olhar para ele sem meu coração partir meu mil pedaços. Seus olhos já vermelhos de tanto chorar, me encontraram e tudo o que eu via era dor. Um aperto de mãos frias e só. Eu queria tanto abraçá-lo e dizer que, independente da situação, ele poderia contar com pelo menos o meu abraço. Mas não o fiz. Fiquei no meu canto, do lado da porta, olhando para a rua, com o pensamento bem longe dali. Não sei ao certo se era a situação, o clima, ou a falta de uma boa noite de sono, eu estava lenta, longe de estar com a cabeça no lugar.
Algumas semanas antes disto acontecer, eu havia dado fim a algo que nem sabia como chamar. Eu definitivamente estava apaixonada por ele, mas ele não estava por mim. Veio ao fim, meses de aventura, de risadas, shows e passeios. Ele fez parte da minha vida, por um pequeno instante dela, mas fez. Foi difícil dizer adeus de uma vez, mas eu o consegui. Pelo menos da boca pra fora. As vezes me pego pensando no que aconteceu e nos bons momentos, mas do que vale massacrar as boas lembranças?
O amontado de tristeza de eventos seguidos me fez desistir de uma festa de aniversário, que no caso era a minha. Não tem ânimo, alegria ou vontade de comemorar, apenas de que o dia passasse logo. Mas é claro, que quando estamos assim, o dia se arrasta.
E se arrasta e arrasta. Infindável. Até que coloco a cabeça no travesseiro, durmo e acordo no dia seguinte, tentando seguir em frente.
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