Ato de se deixar

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Quando permitimos perder nosso auto equilíbrio, talvez seja o início de uma relação e vida equilibrada.
Três anos em luto. Todo esse tempo reclusada, sem se permitir. Estressada, incomodada, sem se perdoar. Admitindo que estava bem, sorrindo. Mas não sorrindo com o coração.
Eu me fechei dentro de si mesma e descobri o quão triste pode ser a falta de auto conhecimento e perdão. Descobri de modo bem doloroso como é horrível ser egoísta e seus frutos destrutivos.
Eu estava em uma redoma, não permitindo aproximação, nada de socializar. Fechada dentro de uma bolha de falsas pretensões e proteção.
Nada tinha mais o mesmo gosto, apenas algo similar a amargura. Se você perguntar quando foi que me perdi buscando meu próprio equilíbrio, eu não saberia nem por onde começar.
Eu perdi tanta coisa em tão pouco tempo. Novas chances, novas pessoas, um novo começo.
Eu me fechei a tal ponto, que me recusava a sair do quarto. Não, eu não estava em depressão, eu apenas estava me defendendo de tudo e de todos. E o quão tola fui ao fazer isto. Cada dia desperdiçado em meu quarto, era um dia a mais de fraqueza, de choros, de arrependimentos, de tentar se controlar. Muitas vezes a parte boa da vida não está no controle de algo e sim no se deixar ir. É como borboletas: quanto mais tentamos caça-las, mais elas fogem.
Eu estava caçando meu controle, meu equilíbrio, mas tudo o que eu conseguia era a incerteza e a infelicidade. Eu estava prestes a desmoronar, estava me destruindo quando percebi que aquilo, aquele momento, aquele choro precisava acabar.
Eu não precisava esperar o perdão de alguém, isso era perda de tempo. Eu precisa me perdoar e seguir em frente. Dar uma nova chance ao amor e acreditar que isso iria acontecer um dia, sem data prévia. Mas quando nos afastamos da luz um determinado tempo, é difícil voltar a encará-la.
Em três anos de reclusão eu não me permitia conhecer novas pessoas, nem mesmo devolver um sorriso na rua. Eu estava em luto, um luto que não havia data marcada no calendário para acabar, mas acredito que agora chegou ao fim.
Quando me deixei levar, sem querer controlar, foi quando me achei e me senti segura. Talvez alguém pense, talvez até você que está lendo, do que raios estou falando. Pois bem, estou falando de se deixar, de permitir.
Quantas vezes somos barrados em fazer algo por imaginar no que as pessoas vão dizer? Eu descobri que a partir de hoje eu estou pronta. Pronta para enfrentar o mundo de peito aberto. Pronta para coisas novas em minha vida. Pronta para se permitir. Pronta para viver novamente.
Fora da redoma o ar é delicioso, o vento que bate em meu rosto é lindo. O céu tão azul como nos primeiros momentos da manhã. E o sol tocando minha pele, me faz se sentir aquecida não só por fora, mas também a minha alma.
Eu realmente não acredito mais que eu seja destrutiva ou que meus relacionamentos são. Isso era provocado pela minha falta de auto perdão. Já estava mais do que na hora de se levantar e se perdoar, de encarar tudo como um grande aprendizado, que cada pessoa que passou e passará pela minha vida são mestres. Cada um deixa um pouquinho de si e leva um pouquinho de mim.
Eu não sei ao certo o que vou descobrir nessa nova jornada da minha vida, sejam amizades, viagens ou amores. Só sei que tudo isso não me dá desespero, me dá consolo. Sim, me dá paz. E na primeira vez em toda a minha vida, o egoísmo não ocupa meu coração.
A vida é feita de recomeços, e este é o momento do meu.
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