Empty chair.

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A chuva batia forte e incessante em minha janela.
Disposição para sair da cama é quase inexistente. Eu não estava triste nem alegre. Estava neutra.
Peguei o telefone, ligue para você. Caixa postal. Pensei em mandar uma mensagem, mas deixei para lá.
O apartamento estava silencioso, apenas pequenas patinhas se mexendo em direção a cama. Era Salém.
Ele se esticou na cama, olhou nos meus olhos, miou e dormiu. O domingo estava mesmo preguiçoso.
Pensei em assistir um filme, um seriado. Mas estar ali, deitada na cama, sem fazer absolutamente nada era o que eu queria.
Comecei a ler meu livro predileto no momento. Sobre uma jovem que descobre novas experiencias em sua vida, e por um momento me imaginei como ela. Novas experiencias, novas emoções, novas pessoas, novos ares.
Aos poucos, eu estava vivendo isso. Indo a shows, palestras, cinemas totalmente sozinha.
Eu estava no meio de uma quebra de tempo, de um rompimento inesperado, eu estava só, sem minha companhia de sempre. Eu estava comigo mesma.
Aquela noite no show, eu olhei para a cadeira vazia e imaginei você lá. Rindo comigo e entendo minhas piadas. Quando vou buscar uma água, a cadeira está ocupada por outro alguém. Alguém simpático e divertido, que também riu de minhas piadas e não me achou a mais louca ou deslocada do local.
Alguém mudou minha noite. E não só este alguém, mas meus amigos também.
A mão que tocou meu rosto e me perguntou, olhando nos olhos, se eu estava bem. A pessoa que me esmagou num abraço e disse que sentia saudades, que há muito tempo não nós víamos.
Foi aí que parei pra pensar, ninguém é insubstituível. Apenas ocupam espaços diferentes em nossos corações e vida. Ninguém ficou quanto tempo como você, mas você me deixou sem me permitir se adaptar a sua saída. Você apenas pegou suas coisas silenciosamente no meio da noite e desapareceu.
Eu não posso esperar o resto da vida por você e é por isso que estou seguindo em frente também.
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