Confissão.

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Hoje li um texto que me incomodou muito. Mas incomodou, no sentido bom da palavra. Uma das frases que mais me marcou foi a seguinte "Uma mulher em luto não permite arrebatamentos". Bem, essa é a posição na qual me encontro agora. Em luto relutante.

Flertando com a pessoa errada, estendo esperanças para as quais não pretendo preencher. Fechando o coração todo bagunçado ao invés de limpá-lo. Jogando para debaixo do tapete toda a sujeira, que já deveria ter ido embora há muito tempo atrás.
No mesmo tempo que quero sair do limbo, ao mesmo tempo me jogo mais no fundo dele. Comecei conversando e confessando meus crimes a quem deveria ouvir. Admito me sentir aliviada (um pouco mais do que eu esperava), mas confesso ter recaído muito desde então. Me afastei de pessoas que eu não via antes, mas que me faziam mal e me prendiam ainda mais na borda de insegurança. Eu estava alegre a ponto de querer gritar para o mundo e me libertar de vez de tudo aquilo, mas eu não conseguia. Na primeira oportunidade maldita, retornei a insegurança. Aceitar o 'amor' de alguém que nunca vai assumir um romance sério com você. Alguém que te usaria sem a menor compaixão para satisfazer suas necessidades e vontades. Sonhar com quem é indiferente a sua atual posição sobre a vida e que odeia conversar, mas quando precisa de algo, é a primeira a te chamar. Independente da hora. Alguém que te força a mudar, porque aquilo que ela projetou é oposto. Alguém sem escrúpulos, levemente alterado de humor, com grande probabilidade de ser um louco, mas que você confiava plenamente.

Eu depositava tanta confiança, que deixei de ser quem eu era. Perdi a própria identidade. Me tornei quem eu não fazia ideia do que queria ser. Toda essa bagunça sentimental (mesmo eu admitindo não sentir nada por ninguém), me fez se perder em mim. Meu psicológico tão estourado, ferrado, que sem alternativas e farta de tentar resolver tudo sozinha, me levou a terapia. Não digo que a terapia foi péssima ou estou denegrindo ela, ao contrário, foi nela que me encontrei e onde percebi tudo o que eu estava fazendo de errado. Querer e não querer ao mesmo tempo acreditar que a pessoa ''almejada'' (sim entre aspas, porque no fundo, realmente, eu não a almejava), largaria tudo por mim. Ah mas que inocência a minha! Não estou dizendo que criei esperanças sobre, mas era um pensamento que me ocorria esporadicamente.
Me sinto tão mal a ponto de não sentir a vontade para se arrumar e se maquiar tão bem, como era de costume meu . Usar um jeans surrado com uma regata e all estar, parece suficiente. Mas não é. Claro, nunca fui do tipo mega vaidosa a ponto de se super produzir para sair, não. Mas estar na condição que estou, me incomoda. É como o autor do texto citou ''Não tem brilho na pele, porém tensão nos ombros. Sua respiração é um poço de suspiros.''. O texto parece ter sido escrito para mim. Sinto carregar o mundo nos meus ombros. Hoje mesmo comentei com meu pai, a vontade de se mudar e começar tudo de novo. Num lugar onde ninguém saiba a sua história. Mas agora eu penso, de que me adianta trocar de cidade, de vizinhos e até de amigos, se meus fantasmas vão para onde eu for? É um argumento inválido. É querer deixar tudo de lado e tentar recomeçar. É deixar assuntos inacabados e começar ''outra vida''. Acontece que sempre será a mesma vida, se eu não mudar minha perspectiva. Nunca haverá um local diferente, se a mudança não ocorrer em mim. 

Então eu comecei a tomar atitudes. Parei em frente ao espelho e me olhei por um tempo. Tentei ao máximo admirar o que eu via. Por que se eu não me amar em primeiro lugar, gostar de mim mesma, quem irá? Aos poucos eu percebi o tracejado oriental do meu olho, as curvas do meu corpo, a cor dos meus olhos e a indecisa cor dos meus cabelos. Percebi até que possuo uma covinha na bochecha. Então ali, na frente do espelho, aprendi a me aceitar. Aprendi que deveria começar a me valorizar. 
O que estou escrevendo não é um texto de auto ajuda, é uma confissão. É um lembrete. Um lembrete do qual eu nunca me esquecerei. Um lembrete do dia em que decidi viver.
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