Inutilidade e solidão.

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"Devo ser inútil! Faço tudo e ninguém nota."
Eu já pensei isso tantas vezes... Deixei me levar pro fundo do poço sozinha. Forças boas te levam pra um lado, mas as forças que te levam pro outro lado são mais fortes do que tudo.
Eu sempre me perguntei para que eu serviria, como eu poderia ser útil. Mas, o que era ser útil na verdade? Sinceramente, eu não sabia ao certo. Nem mesmo a folha que cai de uma árvore é inútil, ela está seguindo seu rumo de vida. Até mesmo o grande Sol deixa de brilhar, para ceder essa oportunidade à Lua. Sem pedir permissão, o sentimento de inutilidade invade e angustia nossa alma. Não sabemos por que, mas ficamos para baixo do nada, sem motivo aparente. Começamos a nos questionar e perguntar porque ainda estamos aqui. Há um propósito nisso tudo? Pra tudo há propósitos e motivos, não ficamos por aí a toa. Muitas vezes dizemos que somos novos demais para entender algumas coisas e deveríamos aprender com os mais velhos. Já o dilema crucial de vida dos mais velhos é a pressa da juventude. A inutilidade vem sem percebemos e não é seleta a ponto de escolher determinada idade ou respeitando-nos, ela vem com a típica frase "Você não deve sonhar, não crie expectativas e assim não sofrerá.". Erramos tanto ao pensar isso. O que tenho a dizer sobre isso? Que tantas vezes, tantas chances únicas eu perdi por isso. Me tornei uma derrotada, me deixei ficar jogada no chão ao invés de levantar quando caí e arriscar. Porque não importa o quão difícil pareça ser, o que devemos no mínimo é tentar. Só nos tornamos derrotados quando permitimos. Fracassar faz parte da vida, se frustrar também. Quem conhece o amor, já experimentou ambas as sensações. Mas não é porque se amou pela primeira vez e foi rejeitado que matou sua capacidade de amar.
Mas ah o amor, tão complexo quanto os maiores cálculos do mundo exato! Aprendi que para entender o amor e se já amei na vida, a solidão era essencial, era seu complemento. Aprender a não se assustar com a própria companhia, aprender que as vezes dizer ''não'' nem sempre é falta de generosidade e que ''sim'' nem sempre é virtude. Muitas vezes o que mais precisamos é o silêncio. É na solidão que aprendemos a decidir o que vale a pena pedir para voltar ou para se afastar de vez, na mesma aprendemos a aceitar a partida de um antigo amor e a chegada inesperada de um novo. Por que aqueles que não se deixam assustar pela solidão que revela os mistérios não compreendem certos fatos, mas aqueles que conseguem sentir a harmonia no silêncio, recebem mais do que se pedem. E sobre a inutilidade pense: o que é ser útil? Ajudar um cego a atravessar a rua? Segurar sacolas para uma idosa? Ou simplesmente sorrir para alguém na rua e talvez até mesmo salvar a vida dela?
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