Furacão

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E quando dei por mim, você já havia partido.
Havia levado o melhor de mim. E em migalhas no chão eu permaneci.
Eu não conseguia entender o que aconteceu.
Você simplesmente me deixou, pegou suas coisas e foi embora.
Toda a agitação foi embora. Toda a alegria, e motivo de risos deixou-me só.
Você é como um furacão. Passou, fez uma bagunça enorme, levou tudo embora e me deixou jogado ao pó.
Como compreender ou ao menos tentar te compreender? É loucura isso... Mas também dizem que loucura é amar.
Eu te sentia como minha alma gêmea, como o bem mais precioso que possuía. Como aquela raridade que possuímos e não deixamos ninguém tocar, sabe? Mas todo meu esforço foi em vão.
Estou pensando e remoendo pensamentos largado neste chão todo sujo e empoeirado. Eu queria poder te escrever, mas no meu punho não há forças a não ser para olhar as horas. Mas o que adianta ver as horas? O tempo não te trará de volta e muito menos aliviará a dor que corrói meu peito.
É como se houvesse uma estaca cravada nele e eu não tivesse forças para retirá-la.
Talvez você pense que isso é absurdo, mas não é. O espaço em branco, ou melhor, o buraco negro que você deixou eu meu peito não pode ser fechado. Talvez a dor possa ser amortecida pelo ópio e pela bebida, mas não fechado. Não, nunca mais ele será fechado. Eu nunca amaria alguém como amei você. Nunca mais. Como pode alguém tão frágil e delicada como você, fazer um estrago desta proporção num homem como eu? Isso não faz sentido e o que sinto, vai além da razão e da lógica.
Queria apenas expressar os pensamentos horríveis que tenho desde que você partiu. Você partiu para o mais doce céu e me deixou largado neste inferno chamado terra. Não há como resistir a isso. Não há outro modo de fazer isto, desejo-me unir a ti, onde quer que esteja, então deixe-me partir!


* Inspirado na história de Edgar Allan Poe, quando sua esposa Virginia veio a falecer.
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