Amar?

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Estava sentada em seu sofá, enrolada em seu cobertor. Lá fora o sol estava escaldante, mas minha alma estava fria. E estava relativamente triste. Não sabia ao certo a origem de sua tristeza. Olhava para a tv, mas não prestava atenção naquilo. Sua mãe logo chegou de mais um dia de trabalho puxado. Sentou no outro sofá e pegou uma xicara de café. Perguntou-me o que estava acontecendo.
- Estou triste. 
- Por quê?
- Não sei ao certo. Apenas triste.
- Você precisa de um namorado, um companheiro. Amar faz bem pra cabeça.
Ela ficou espantada e respondeu:
- E desde quando a minha 'depressão' está ligada a relacionamentos?
- Só estou brincando. Você não sente falta?
- De alguém pegando no meu pé? Não mesmo
- Sobre seu ex, você chegou a amar ele?
- Não sei mais. Talvez não. Dizem que ciumes é uma prova de amor. Que quem ama cuida. E eu não era assim. Será que eu nunca amei mamãe?
- Sim, quem ama cuida. Por mais dificil que seja, por mais terrivel que seja o ''genio'' da pessoa, você cuida. Mas não se preocupe querida, o seu amado ainda está por vir.

Fiquei ali no sofá pensativa. Aquilo não me fazia sentido. Será realmente que nunca amei? Sempre senti ciumes de meus amigos, agora de alguém em particular. Não...
Aquilo era triste, muito triste. Eu era acostumada a escrever e falar sobre amor, mas nunca o sentira. Seria um defeito? Algo ruim? Isso faria sentido em quase nunca chorar? Eu estava confusa.
Não sabia o que pensar. Deitei na minha cama, porém não conseguia dormir. Se minha mente estava estagnada antes, agora estava ativa demais.
Fiquei mexendo no celular horas a fio e nada de sono. Quando me dei conta já passara das três da manhã. Deixei de lado o celular e fechei os olhos na esperança de dormir. Peguei no sono finalmente.
Mas não dormi perfeitamente bem. Acordei várias vezes. Levantei, andei pela casa. Voltei para a cama. Acordei com dor na costela e com sangue no travesseiro. Me assustei muito. Olhei no espelho, era meu nariz. Fazia séculos que isso não me ocorria. Minha mãe disse que era estresse sobrecarregado. Levantei, lavei o rosto. Troquei a fronha. Fui para a cozinha, tomei uma boa xicara de café. Minha costela estava dolorida. Tomei um remedio, mas eu sabia que isso era resultado da minha agitação da noite passada.
Continuo pensativa sobre tudo o que mamãe me disse e também sobre outras coisas. Sim, eu queria sair da estagnação, mas isso não quer dizer que eu queria esse tipo de agitação...
E uma única pergunta ainda ronda minha mente: será mesmo que nunca amei?!
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