A atriz que sabia escrever.

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E lá estava ela, mais uma vez atuando uma peça medíocre. Ela já não aguentava mais isso. Sempre os mesmo roteiros, sempre os mesmo atores e piadas bobas. Sempre o mesmo maquiador, o mesmo alfaiate, o mesmo cenário. Emily estava cansada da mesma rotina. Mas o que poderia ela fazer para mudar tudo isso? Ela também estava cansada das mesmas pessoas, os mesmos olhares, mesmas conversas. Sim, aquela rotina a matara por dentro e ninguém percebera isso. Ela nunca deixou desleixou-se e deixou de manter sua bela aparência pelas peças, mas ela achava aquilo tão fútil, tão bobo. 

Já se passara três anos desde a morte de seu ex-namorado. Fora algo trágico. Emily e Louis haviam discutido apenas aquela briga boba de sempre. Mas uma diferença: talvez dessa vez não houvesse volta. Ele reclamou da falta de atenção dela, que sua vida era apenas o maldito palco e holofotes e não ele. Ele nem mais se sentira como parte dela. Ele então pegou suas coisas e decidiu passar um tempo na casa de seu amigo John. Mas no meio do percurso, algo atrapalhou sua chegada. Um motorista bêbado e possivelmente drogado estava dirigindo seu carro desgovernado naquela noite e infelizmente a vida de Louis ele tirou. Emily viu todo o acidente, pois foi a alguns metros de sua casa. Os paramédicos tentaram socorrer e reanima-lo, mas já não adiantava, ele havia partido.

Emily durante esses três longos anos se culpou infinitamente pela morte de Louis. E uma coisa mudara em seu jeito alegre de ser. Ela já não sentia prazer em somente atuar. Sua mente vivia conturbada e ela não conseguia muitas vezes dormir. E lá ia Billy, o maquiador, disfarçar todas aquelas olheiras para que ela estivesse radiante no palco.
Emily tinha uma beleza rara. Tinha uma pele clarinha, graças ao fato que quase nunca pegar sol, e ainda sempre tomar banhos e banhos de protetor solar se caso precisasse sair no sol. Seus cabelos naturalmente eram loiros cor de ouro, mas por causa de uma peça certa vez, tivera que pintar ele de ruivo. Gostou tanto daquela cor que manteve. Era de uma estatura media. Seu corpo era bem definido graças às aulas de ballet paga por seus pais quando mais jovem. Ela já estava na faixa dos 25 anos, mas aparentava cerca de 20, 21 anos.

Seus pais haviam se mudado para algum lugar da Europa. Ela ficou sozinha na imensa Nova Iorque. Resolveu logo se mudar para perto do Central Parque. Era perto de tudo e principalmente, perto do teatro. Sua vida era sempre agitada e muitas vezes nem conseguia cuidar de seu próprio gato, seu amado Salem. Sim, um nome esquisito para um gato, mas fora Louis que escolhera.

Um belo dia em casa, sozinha, sem absolutamente nada para fazer, pois estavam reformando o teatro, Emily resolveu pegar o notebook e tentar escrever. Lembrou-se da época de seu colegial, quando na oitava serie ganhou um premio por melhor peça escrita.
Começou desabafando como se sentia sobre Louis, e como era às vezes visitar seu tumulo. Ela chegava a passar horas e horas lá escrevendo em um velho diário. Ela pegou seu diário e passou para o notebook tudo que anotara ali. E foi assim que Emily saiu da sua fadada rotina cansativa. Sempre que voltava dos ensaios não via a hora de pegar seu notebook e escrever. Contar ‘’ao Louis’’ como fora seu dia.
E assim, aos poucos, ela contou ao mundo como era sua vida, como foi seu relacionamento com ele, sobre sua depressão e tudo mais. Emily se tornou uma grande escritora e o maior sonho dela era poder assistir uma peça de seu próprio livro. E isto seria magico para ela.
Certa noite quando terminou de escrever um de seus contos em seu ‘’diário online’’, ela colocou no final a seguinte frase:
“Seu fim originou meu começo. Nossa historia motivou minha historia. Eu te amo agora e sempre te amarei Louis. Você sempre estará em meu coração e na mente de meus leitores, sem você isso não seria possível. Obrigada por tudo.

De sua eterna Lily...”
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