O meu coração...

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...conheceu cartas que nunca saíram de mim ou chegaram no papel. Gravou recordações de palavras que ficaram, somente ficaram e jamais foram. A lembrança do não-dito também arde, mas falar, em si, é um trabalho que me custa demais. Deixar que tudo saia é baixar o escudo, sair da retaguarda e andar na linha de frente, pronta ao perigo, ao tiro à queima-roupa e ser o alvo perfeito. É me desvencilhar de mim para me colocar em outro. O que não sei é se aguento essas guerras. Contudo, meu coração sentiu o peso e a leveza de cada palavra trancada, de cada gosto-muito-de-você-mas-não-sei-falar. Dos perdões aos arrependimentos: meu coração carregou munições inteiras. Puxar o gatilo é que me dói no corpo todo, das articulações até órgãos. Embrulha o estômago e cega os olhos. Por isso, meu amigo, há de ser mais sensata toda carta que nunca enviei, toda palavra - bem ou mal - que somente eu senti as farpas e os carinhos. Nada, porém, é pessimismo. Tenho certeza de que um dia todos nos falamos por completo.

A garota de preto.

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