Nunca mais!

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A frase queimava em minha mente. Era forte. Imponente. Imperativa. Dolorosa e vazia.
Eu não saberia talvez lidar com aquilo. Era difícil pensar em fechar os olhos para sempre. Era difícil imaginar não ver sua doce face angelical novamente. Era incrivelmente doloroso pensar em partir, mas seria um alivio para minha alma saber que ela estaria bem. Mas eu aceitara o acordo e deveria honrar minha palavra. Ela era o motivo da minha vida, minha inspiração. O seu doce perfume despertava a vontade de tocar seus lábios rosados novamente. Era por amor a Emily que eu fazia tal loucura. Tomar um veneno era difícil, porem seria a libertação de minha amada.
Eu começara a lembrar de nossa ultima dança no baile, antes de ser interrompido pelo cavaleiro mascarado. Seu cabelo loiro parecia dançar conforme a melodia. Era uma bela e doce lembrança comparada a Emily que vi desfalecida em meus braços após tirá-la de um caixão improvisado. A melancolia que eu chamara de sombra por me perseguir desde a morte de minha adorada esposa Virginia, parecia tão doce agora.
A neve caía sobre meu corpo e eu já não sentia frio. Seria o efeito do ópio ou da bebida? Ou eu estaria mesmo ficando louco? Talvez fosse só o anjo da morte se aproximando. E tudo o que eu conseguia pensar era em seu maldito sobrenome: Reynolds!
E então, quando meus olhos estavam por se fechar, o corvo pousou em meu ombro e sussurrou: Nunca mais!


* Texto inspirado nos últimos dias de Edgar Allan Poe (1809 – 1849), o maior escritor e poeta de mistério, terror e morte.

          ~ A garota de preto.



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